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segunda-feira, 9 de junho de 2014

A RUA TEM PRESSA

“Esperança é levantar, construir, juntar-se com os outros, fazer de outro modo, esperançar, conjugar um outro verbo”
(Paulo Freire – educador e filósofo)
Expressão da questão social recorrente, a realidade político-social dos moradores de rua, em Goiânia, foi discutida no auditório do Ministério Público (MP), durante o Seminário Povos de Rua: visibilidade, políticas públicas e perspectivas, realizado pelo Coletivo Liberdade.
Escritores, psicólogos, professores, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, psiquiatras, atores, musicoterapeutas, educadores e trabalhadores sociais, graduandos universitários, mestrandos, promotores e o público em geral discutiram temas ligados à população de rua ou cidadãos em situação de rua, exército de desempregados(as) sujos(as) e magros(as), descabelados(as), malcheirosos(as), seres humanos sem face, negligenciados. Com uma das mãos a classe famigerada segura a chapa quente da exclusão social enquanto a outra segue estendida à população apressada e urbanizada, espremida no centro erguido em concreto e asfalto, sujeitos sem face órfãos das opções coletivas. O transporte precarizado e a insegurança nos rouba o tempo e ainda os planos para o futuro. Qual futuro?
A cada segundo, e aí se incluem as políticas públicas, assistimos esbabacados o atraso dos ponteiros do relógio social, o qual cadencia, além do tempo e da história, o gado humano preso às amarras da desigualdade e correria contemporânea. Segundo Maria Lúcia Santos Pereira da Silva, baiana, ex-moradora de rua, coordenadora regional do Movimento Nacional de População em Situação de Rua : “O morador de rua é cidadão à revelia abandonado pelo Estado, cidade e a família.”
Representados, em mais de 70%, pela pele de cor escura, são seres em situação de rua, trabalhadores rurais na faixa etária acima de 40 anos, os quais vieram aos centros urbanos em busca de emancipação através do salário, muitos deles alijados da inclusão social com medo de voltar às suas origens e famílias e ter que contar a verdade sobre a luta perdida na guerra pela sobrevivência. São pessoas as quais convivem com problemas de saúde mental, abusadores de substâncias químicas, gente que definitivamente não faz parte do grande Censo Demográfico da Nação (tremenda falta de senso) o qual enquadra e define o status da sociedade capitalista modernizada conforme o poder individualizado de acumulação e consumo, urbanização e alienação.
Inconsciente dos Direitos Humanos inerentes à Constituição Federal de 1988, alcançados pelas lutas democráticas na questão do enfrentamento das desigualdades sociais, como a Lei Maria da Penha, o Estatuto da Criança e Adolescente (Eca), a gente de bem, dependente química representante da classe social esfarrapada, em situação de rua, a qual se divide entre o consumo de drogas legais e ilegais, adquiridas em balcões do comércio institucionalizado ou no improviso das esquinas vivas da morte lenta.
O pedaço de pão casado com sopa, doados durante a madrugada, em meio a cobertores das entidades caritativas de gente de bens, muitas vezes não atestam o selo de validade, qualidade, quantidade de calorias e sal e descem queimando, garganta adentro, aquecendo a alma dos que dormem com um olho no céu escuro da noite fria, crua e nua enquanto o outro vigia o próximo disparo de chumbo, borracha ou pimenta com sal.
A dependência química é o estigma dos moradores de rua, condição excludente a qual não questiona profissionais liberais, frequentadores dos banheiros em bares de luxo, igrejas ou Casas de Leis, ricos e remediados, em sua grande maioria, apaniguados pela esdrúxula judicialização do consumo abusivo de substâncias, a qual, se 'consumida' do lado de dentro dos muros altos, em condomínios fechados (os aquários sociais) em bairros ou edifícios de luxo, os diferencia, já na boca do cachimbo, reflexo do rosto no prato, ou ainda a conta-gotas, o qual não delata nada a ninguém nem mesmo escreve verdades em papel de apelido doce.
A situação de rua de milhares de cidadãos os quais não estampam números estatísticos quantitativos e da inclusão, – a não ser depois de mortos, – está posta e revela somente o lado da moeda podre e pobre das políticas sociais. A rua é também escolha, viver no leito seco do rio de lágrimas urbano é direito garantido pela CF-88, sinônimo de liberdade, democracia com princípios do Estado forte e coeso, de bem-estar, o welfare state ou welfare mix, sufocados pelo capitalismo neoliberal e eletrônico do workfare.
O retrato em preto e branco dos cidadãos em situação de exclusão social os quais vivem e morrem nas ruas do planeta, e em especial na Capital goiana, define a crueldade das realidades local e mundial, a relativização de valores, banalização dos conceitos e direitos podendo sim ser o ponto de partida para o entendimento, por parte da população economicamente ativa, de que é preciso trabalhar as questões ligadas às mazelas sociais as quais tatuam a população excluída, seja em nosso próprio terreiro ou nos quintais em caos social espalhados mundo afora.
Tomando como exemplo a Síria e a Palestina, exilados das guerras alastradas e covardes, ferramenta de invasão ianque, especialmente no Oriente, misturam-se entre raças, idades, credos e cores escancarando a denúncia nas cicatrizes da carne, em agressões que só a alma dos excluídos está fadada a sofrer.
Segundo Adélia Prado: “Não somos todos iguais sim porque alguns foram mais machucados que outros.” O morador de rua tal qual o shampoo anunciado na TV, parece mas não é, enquadrado em diversas categorias minoritárias como os movimentos sociais LGBTT, dos idosos, da negritude, desaparecidos políticos de ontem e de hoje, das donas de casa, gente em carne e ossos os quais, aos olhos da burguesia maniqueísta, parecem não sentir frio; nem ter vergonha; não morrer de fome; sofrer de depressão; se coçar com urticária; possuir medos; tossir a tuberculose; desmaiar de disritmia, enfraquecer e amarelar pela diarreia.
Quanto às necessidades básicas prementes da parte mais desorganizada da população, estas não conseguem ser atendidas pelo poder público, e, à prestação, são cozidas na panela social da exclusão, feito o feijão pagão, sob muita pressão da população excluída que ganha a costela magra das Bolsas inclusivas e não se dá conta da causa perdida, do destempero, tampouco da não distribuição da riqueza socialmente produzida.
Enquanto governos brincam de aprendizes da igualdade dividindo erros macabros e parcos acertos com as gestões estaduais, municipais e instituições que praticam assistência, o atendimento de ponta, fraturado, segue na UTI da Saúde, incapaz de promover políticas sociais as quais, por enquanto e até aqui, não abarcaram nem foram capazes de realizar o aperto das mãos de diferentes instâncias sociais, especialmente aquelas que enfrentam pelejas e pendengas ferrenhas como a luta de classes, a fome no bucho, a indigência, o desprezo e um acachapante e infindável aperto nos coraçõres que aman e odeiam.
E o pulso... ainda pulsa!
(Antônio Lopes, assistente social, mestrando em Serviço Social/PUC-GO)

segunda-feira, 2 de junho de 2014

SEMANA DE MOBILIZAÇÃO NACIONAL EM DEFESA DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA


Data: [27/05/2014]
Começa hoje, 26/05, a "Semana de mobilização nacional em defesa das pessoas em situação de rua". A iniciativa marca a adesão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) à campanha "Sou morador de rua e tenho direito a ter direitos".
Elaborada pelo CNDDH - Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos das Pessoas em Situação de Rua e Catadores de Materiais Recicláveis, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e tem, como objetivo, contribuir para o fortalecimento da atuação do Ministério Público brasileiro na defesa dos direitos das pessoas em situação de rua. O MP vai concentrar suas ações especialmente nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, com o objetivo de evitar abusos contra as pessoas em situação de rua durante este período.
A ação visa efetivar a Política Nacional para a População em Situação de Rua (Decreto Presidencial nº. 7053/2009), que tem como objetivo assegurar o acesso amplo, simplificado e seguro aos serviços e programas que integram as políticas públicas de saúde, educação, previdência, assistência social, moradia, segurança, cultura, esporte, lazer, trabalho e renda.
Até a próxima sexta-feira, 30/05, haverá grande mobilização em torno do tema. Serão realizadas, nas diferentes unidades e ramos do MP brasileiro, reuniões e audiências públicas para discutir a questão das pessoas em situação de rua. Do mesmo modo, serão fixados cartazes, concedidas entrevistas, bem como será dada ampla divulgação nas mídias sociais sobre os direitos das pessoas em situação de rua e a atuação do MP em sua defesa.
Ainda durante a semana, será divulgado o documento: Diretrizes de atuação do Ministério Público Brasileiro em Defesa das Pessoas em Situação de Rua durante a Copa do Mundo de 2014.
O documento é resultado do Encontro Nacional MP em defesa da população de rua, promovido em abril pela Comissão de Defesa dos Direitos Fundamentais e pelo Fórum de Articulação das Ações do MP na Copa do Mundo do CNMP e expressa o comprometimento de membros dos diversos ramos do Ministério Público dos estados que irão sediar a Copa do Mundo com a defesa dos direitos das pessoas em situação de rua, no propósito de assegurar o trabalho social de abordagem e de busca ativa que identifique, nos territórios, a incidência de pessoas em situação de rua, a fim de construir o processo de saída das ruas e possibilitar condições de acesso à rede de serviços e a benefícios socioassistenciais.
As diretrizes pretendem assegurar direitos aos moradores de rua tais como: abordagens policiais com revista realizada por agentes do mesmo sexo do abordado; obtenção de documentos pessoais pelas pessoas em situação de rua, inclusive a gratuidade da segunda via; impedimento da apreensão ilegal de documentos pessoais e bens pertencentes às pessoas em situação de rua.
Dados
Entre agosto de 2007 e março de 2008, por meio de uma parceria do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) com a Unesco, foi realizada a Pesquisa Nacional sobre População em Situação de Rua.
A pesquisa, que incluiu a contagem e caracterização da população adulta em situação de rua, foi realizada nos municípios com mais de 300.000 habitantes e em todas as capitais, com exceção de Belo Horizonte, São Paulo e Recife, que haviam realizado pesquisas semelhantes em anos recentes, e Porto Alegre, que naquele momento, conduzia a pesquisa de iniciativa municipal.
A pesquisa nacional contabilizou 31.922 adultos em situação de rua nos 71 municípios pesquisados. Nesse sentido, ao somar o valor do contingente da pesquisa nacional com os números das pesquisas realizadas em Recife, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre estima-se que o total de pessoas adultas em situação de rua identificadas representa, aproximadamente, 50 mil.
De acordo com o decreto que institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua, estas são caracterizadas como um grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares fragilizados ou rompidos e a inexistência de moradia convencional regular.
Essa população se caracteriza, ainda, pela utilização de locais públicos como praças, jardins, canteiros, marquises, viadutos, além de áreas degradadas como prédios abandonados, ruínas, carcaças de veículos como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente.
Fonte:  Assessoria de Comunicação Social / Conselho Nacional do Ministério Público

Comitê discute Plano de Políticas Para Pessoas em Situação de Rua

Escrito em 29/05/2014 11:27
 
Comissões temáticas e Pop Rua se reuniram para aprofundar a elaboração do documento e relacionar ações que devem ser desenvolvidas em cada área da administração municipal

A Prefeitura de Goiânia, por meio da Assessoria de Direitos Humanos, realizou hoje, 29, reunião do Comitê Pop Rua com as comissões temáticas para aprofundar a elaboração do Plano Municipal de Políticas para Pessoas em Situação de Rua. De acordo com José Eduardo da Silva, assessor especial da Prefeitura de Goiânia para Direitos Humanos, “as comissões técnicas discutem por áreas ações específicas do poder público municipal para atender a essa população”.
De acordo com Humberto de Paula e Silva, assessor de Direitos Humanos da Defensoria Pública da União (DPU), é preciso desencadear ações que passam por duas perspectivas. “A primeira é exigir das autoridades segurança efetiva na correta investigação e punição dos responsáveis pelos crimes cometidos contra a população em situação de rua”. Segundo ele, como já foi apurado, ao que tudo indica, a maioria dos casos não é fruto de grupos de extermínio, mas sim, casos isolados. Para o membro da DPU, muitas mortes são decorrentes de uma situação de desamparo. “Esses cidadãos muitas vezes estão envolvidos com o tráfico. Acreditamos que, com a política correta de cuidados para com esse cidadão, e conseguindo retirá-los das ruas, vamos diminuir a possibilidade de outros crimes”, disse.
Para os envolvidos nos trabalhos temáticos do Pop Rua, uma das funções desse comitê é exigir da Secretaria de Segurança Pública e Justiça uma investigação efetiva de todos esses casos já ocorridos com pessoas em situação de rua. É preciso tentar barrar os traficantes que usam as pessoas vulneráveis para o tráfico.
As comissões temáticas são subdivididas nos seguintes temas:

Reinserção, Mobilidade e Trabalho;
Direito, Justiça e Segurança Pública;
Saúde e Segurança Alimentar;
Política de Acolhimento Institucional e Habitação;
Formação, Mobilização e Comunicação;
Monitoramento e Controle Social.

Entidades envolvidas:
Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), Secretaria Municipal de Educação (SME), Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Setel), Pastoral de Rua de Campinas, Defensoria Pública da União, Assessoria de Direitos Humanos da Prefeitura de Goiânia, Casa da Juventude, Ministério Público do Estado de Goiás, Secretaria de Segurança Pública e Justiça e Movimento Meninos e Meninas de Rua.

Rimene Amaral, da Diretoria de Jornalismo – Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)


Comissões técnicas discutem por áreas ações específicas do poder público municipal para atender população de rua

Foto: Humberto Silva

FONTE: http://www.goiania.go.gov.br/portal/pagina/?pagina=noticias&s=1&tt=not&cd=2601&fn=true

segunda-feira, 5 de maio de 2014

CONSULTÓRIO NA RUA DO CENTRO – RJ: VACINAÇÃO CONTRA A INFLUENZA COM FOCO NA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA


Nesse ano de 2014, o Consultório na Rua do Centro do Rio de Janeiro completa 03 anos atuando na Campanha de Vacinação Contra a Influenza com foco na população em situação de rua do Rio de Janeiro.
A Influenza é uma doença respiratória de origem viral. Esta patologia pode levar a complicações graves e ao óbito especialmente nos grupos de alto risco para complicações de infecção viral.
A ideia de imunizar esse grupo partiu dos profissionais do CnaR do Centro considerando  ser esse grupo de elevada vulnerabilidade.  É sabido que a situação de risco social favorece a negligência com os cuidados básicos de saúde, ocasionando uma baixa resistência às doenças.
Em 2013 foram imunizados aproximadamente 800 usuários em situação de rua  na Campanha  do CnaR do Centro, um número significante para uma população  que transita pelas ruas desapercebida. Nessa nova etapa com início no dia 05 de maio na Central do Brasil nossa meta é aumentar a quantidade de  pessoas vacinas.
Não existe uma fórmula "mágica" para promovermos um evento com boa adesão por parte de usuários que temem a agulha, são desconfiados e em alguns casos negligentes com os seus cuidados, a não ser as ações multidisciplinares realizadas no território que objetivam a criação de vínculos e aberturas  de espaços  de promoção e prevenção da saúde.
No nosso serviço buscamos acolher e oferecer uma escuta ativa aos usuários assistidos, o que resulta numa assistência integral, trabalhando em corresponsabilidade  ou seja, nesse processo saúde - doença só podemos ir até um determinado ponto, implicando ao outro fazer a sua parte.

Sebastian Carlos – Enfermeiro – CnaR Centro





segunda-feira, 28 de abril de 2014

Prefeito de Verona anuncia multas para quem alimentar moradores de rua

Imagem: DivulgaçãoO prefeito de Verona, Flavio Tosi, anunciou nesta quinta-feira (24) um medida polêmica para dar um fim à população de rua que habita o centro da cidade. A prefeitura pretende multar em €500 aqueles que forem flagrados alimentando os sem-teto de Verona. De acordo com o prefeito, o alto número de moradores de rua na praça central cria “um risco para a saúde pública”.
“Perto da Piazza Dante há um jardim para o qual a Ronda della Carità (organização italiana de caridade) enviava cestas básicas. Agora há mais de 20 mendigos vivendo no jardim e eles o tratam como seu próprio banheiro”, conta Tosi, membro do partido de direita Liga Norte. “A situação ficou incontrolável, e por isso introduzi essa proibição”.
De acordo com o prefeito, Verona conta com “inúmeros” abrigos, e aqueles que decidem viver na rua estão provocando “um desastre ambiental”.
Marco Tezza, presidente da Ronda della Carità, afirma que a lei e as multas surgiram “do nada”. “Nós não encorajamos os mendigos. Vamos aonde somos necessários. Se há problemas com a higiene e a ordem pública, a solução é aumentar o controle. Multar aqueles que oferecem comida não é a resposta”.
A medida não foi bem recebida por políticos da região. O presidente da província de Verona, Giovanni Miozzi, criticou a nova política, afirmando que, apesar da necessidade de manter a ordem pública, a prioridade da prefeitura deveria ser ajudar pessoas em situações difíceis.
“Essa lei tem uma única função durante o período eleitoral: lembrar os eleitores de Verona de que Flavio Tosi é o ‘xerife’”, afirmou Francesca Businarolo, parlamentar do partido Movimento Cinco Estrelas (M5S).
Tosi, cujo partido tem uma política feroz contra os imigrantes na Itália, diz que a lei não tem fins eleitorais: “Esse decreto está de acordo com o espírito cristão, e durante a onda de frio do inverno nós também recebemos imigrantes ilegais”.
No ano passado, Roberto Calderoli, um membro veterano da Liga Norte comparou a ministra Cecile Kyenge a um orangotango. Apesar da polêmica causada por sua declaração, ele se recusou a abandonar sua função de vice-líder do Senado.
Deixe seu comentário no Verdade Gospel.
Fonte: O Globo

http://www.verdadegospel.com/prefeito-de-verona-anuncia-multas-para-quem-alimentar-moradores-de-rua/?area=1

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Confusão com morador de rua em restaurante da Zona Sul do Rio gera polêmica na web

Confusão com morador de rua em restaurante da Zona Sul do Rio gera polêmica na web

Fachada do restaurante, em Copacabana, na Zona Sul do Rio
Fachada do restaurante, em Copacabana, na Zona Sul do Rio Foto: Reprodução/Facebook
Luísa Lucciola
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A agressão a uma pessoa em situação de rua em um restaurante na Zona Sul carioca provocou polêmica na internet. A história, relatada no Facebook pelo estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro Thiago Tomazine, de 22 anos, alcançou mais 7 mil compartilhamentos e de 10 mil curtidas em apenas um dia. O dono do restaurante Pigalle, Carlos Alberto Suarez, confirmou a confusão, mas negou que o homem tenha sido agredido.
Segundo Tomazine, ele e um amigo estavam no restaurante, na Avenida Atlântica, em um rodízio de petiscos, quando o morador de rua chamado Clarindo pediu comida a eles e os dois resolveram dar algumas sobras dos alimentos.
— O gerente disse que a gente não podia dar comida para ele, a não ser que pagássemos mais um rodízio, que era uma regra da casa. Mas ele se ofereceu para dar um prato de comida “lá atrás”. Passou um tempo e o morador de rua voltou todo assustado, dizendo que o gerente queria dar porrada nele. Eles começaram a discutir e o gerente pegou ele numa gravata e o jogou no chão — explicou Tomazine.
O post que foi compartilhado mais de 7 mil vezes e teve mais de 11 mil comentários
O post que foi compartilhado mais de 7 mil vezes e teve mais de 11 mil comentários Foto: Reprodução/Facebook
Em seu relato no Facebook, o estudante explica que depois de Clarindo ser solto, eles decidiram pagar seu rodízio. “Mesmo assim ainda continuou sofrendo preconceito. Ele tentou ir ao banheiro e foi barrado. Estávamos sentados na ‘varanda’ e o banheiro ficava na parte de dentro, com ar-condicionado e pessoas ‘ricas’ comendo. Acho que não queriam um negro, pobre e morador de rua ali dentro”. Segundo ele, Clarindo ameaçou agredir o gerente com uma faca, mas voltou atrás. O gerente decidiu, então, chamar a polícia. Quando o policial chegou e constatou que eles iriam pagar a conta do morador de rua e que ele não estava incomodando, não fez nenhum registro e foi embora.
O dono do restaurante explicou que está analisando as imagens das câmeras de segurança e que ainda vai conversar com o gerente, que estava de folga na segunda-feira e trabalha no turno da noite. Segundo Suarez, é possível ver nas imagens que não houve agressão.
— O rapaz de rua estava com a aparência horrível, parecendo até meio drogado. Na filmagem dá pra ver que há uma confusão, mas é mentira, não teve mata leão, dá para ver. Até porque ninguém quis ir à delegacia. Ele se sentiu tão descriminado e não quis ir à delegacia? Por que não? — questiona. — Às vezes, numa situação dessas, uma pessoa vai na mesa do restaurante e rouba o celular de um cliente, até para poder vender depois para comprar drogas. Se você não vai falar, fica parecendo que o lugar é largado.
Tomazine conta que ficou sensibilizado com a ação de Clarindo antes de ir embora.
— Ele cumprimentou o gerente, abraçou ele e disse: “Eu te perdoo” — conta o estudante. — Eu postei a história no Facebook esperando que as pessoas deixassem de comer no restaurante, para dar o troco. Acabou tendo mais repercussão do que eu achava. Estamos pensando até em fazer um protesto ali na frente.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Elite fascista no Brasil queima, envenena, incendeia, mata mendigos a paulada, diz que devem virar farinha de peixe e quer varrê-los da rua

dezembro 8th, 2013 by mariafro

Moradores de rua são alvo de protesto em Florianópolis: “Não precisamos de mendigos: Fora!” Li a notícia dese movimento em Florianópolis que quer varrer os mendigos de Canasvieiras como se fossem lixo. Parei para lembrar de alguns casos que chegaram até a mídia, vejamos:
Assassinos do Pataxó, Galdino dos Santos
Na madrugada de 20 de abril de 1997 Galdino, um pataxó foi queimado vivo por adolescentes de classe média na capital Federal. Durante o julgamento em 2001 os acusados disseram que o objetivo era “dar um susto”, fazer uma “brincadeira”” para que ele se levantasse e corresse atrás deles. Alegaram, ainda, que chegaram a jogar fora na grama parte do álcool adquirido num posto de gasolina, por não ser necessária toda a quantidade comprada para dar o alegado “susto”. Um dos rapazes disse à imprensa que ele e seus amigoshaviam achado que Galdino era um mendigo e que, por isso, haviam decidido perpetrar o ato.
Em maio de 2011 mendigos de Belo Horizonte envenenados com veneno de rato
Em setembro de 2011, uma senhora na paulista exige que a polícia retire morador de rua paraplégico do seu caminho, chamando-o de lixo, macaco, e diante da recusa dos policiais, ela os ofende.
Em Abril deste ano em Minas Gerais, Donato se diverte ‘enforcando’ mendigo em imagem divulgada na sua página pessoal do Facebook. O neonazista é acusado por agressões a negros e gays 

(Print: Facebook)
Abaixo a prisão do meliante:
Também em julho o Fantástico copiando um probrama estadunidense lança a versão tupiniquim com o tema ‘agressão a mendigo
Em outubro deste ano no Rio de Janeiro
‘Mendigo deveria virar ração para peixe’, diz vereador de Piraí, RJ ao defender projeto que proíbe voto a moradores de rua
Por isso, a elite catarinense de Florianópolis querer varrer os mendigos que ela trata sem nenhum eufemismo como “lixo” não deveria nos surpreender. O que indigna é mais uma vez isso cair no vazio, afinal os moradores com ação fascista estão organizados em uma associação, podem ser identificados, portanto, o Ministério Público não faz nada porque não quer.